workshop

Eis uma parte da nossa turma. Alunas lindas!

Há duas semanas exatamente aconteceu aqui em Fortaleza o II Seminário Municipal de Paradesporto. Dentre algumas palestras e mini-cursos que tiveram disponíbilizados, houve um em especial, que a equipe do PINA participou como protagonistas!

Eu mesma estava super nervosa, com muita expectativa de como seria recebido o workshop que demos no sábado passado a respeito da iniciação à natação adaptada para crianças com deficiência física e motora, mas no final deu tudo certo. Participaram umas 15 pessoas do workshop além da equipe, que somos eu, Heloísa, Angela e Jonathan; nele abordamos sobre a metodologia que utilizamos no PINA além de alguns tópicos que a gente achou interessante comentar. Tópicos que são básicos, mas quase nunca alguém nos mostra o caminho mais fácil, e acabamos aprendendo na marra, quando na verdade com alguns detalhes bem simples podemos fazer um trabalho bem mais sensato e planejado.

Então pegando o gancho desses detalhes, tentarei enxugar as informações que demos no workshop por aqui, até para vocês entenderem melhor como acontece o projeto.

Quem participa do projeto, são crianças até 12 anos que tenham alguma deficiência física ou motora. São deficiências físicas ou motoras, a paralisia cerebral, lesão medular, artrogripose, acondroplasia, amputação, desmielia, distrofia muscular, mielomienigoceles, poliomielite, entre muitas outras. Pronto, tem deficiência e tá dentro da idade, legal, é elegível. Depois disso é bom dar uma passadinha lá na academia que acontece o projeto para ser feita uma avaliação e um prontuário ou ficha de anamnese para que possamos conhecer melhor a criança.

Se a criança for muito pequena e não souber responder as perguntas todas, como quais os medicamentos que toma – se for o caso, lógico -, se já fez alguma cirugia etc, é interessante que tenha um acompanhante que o conheça, de preferencia um familiar até para termos uma outra visão da deficiência além da própria pessoa. A gente não adota uma postura distante, na verdade a gente vai conversando, perguntando e enquanto isso, fazemos nossas anotações. Essa anotações são MUITO importantes por vários motivos:

o primeiro deles é que ele servirá para você debater e estudar caso a caso que tenha com os seus colegas de trabalho; segundo, porque ele ajudará você a fazer uma avaliação periódica e revisar como está a evolução da criança, motoramente, socialmente, psicologicamente falando; além disso vai conseguir organizar muito melhor e caso esqueça alguma informação que queria saber, está lá arquivado para não ter que perguntar várias vezes a mesma coisa..

Nós do projeto temos muitas perguntas que fazemos, pois quanto mais perguntas, mais respostas ou então mais questões a serem resolvidas. A gente não tem a pretensão de mudar o comportamento e o ser de todos que chegam por lá, mas fazemos o possível para conscientizar -principalmente as mães- que tudo é uma questão de adaptação.

O conhecimento da deficiência que você está recebendo já lhe permite um leque de possibilidades de trabalho ou ao menos você saberá o que terá que ser avaliado dentro da piscina. Não tem como eu pegar uma pessoa uma lesão incompleta da medula e não estimular o corpo todo para saber se ele ainda tem algum movimento residual. Eu preciso saber EXATAMENTE o que ele tem. Se isso for dificil de saber por um motivo de limitação educacional de quem está transmitindo a informação, é necessária a apresentação de um diagnóstico médico ou nada feito.

O projeto ainda é um feto, e está em desenvolvimento, mas eu espero que futuramente possamos ter um trabalho multidisciplinar com fisioterapeuta, nutricionista, pedagogo, médico e psicólogo. Esse intercambio de informações poderia facilitar muito a evolução de um tratamento para reabilitação. Mas isso são apenas planos para o futuro. Voltando para a realidade… A avaliação na piscina.

A avaliação na piscina varia de acordo com a deficiência que a criança apresenta. Nesta semana, chegou para nós uma moça de 19 anos que tem acondroplasia, vulgarmente chamada de anã/o. Ela fez uma cirurgia à 3 meses no quadril e no joelho e está morrendo de medo de fazer algum movimento com medo de tirar tudo do lugar. Nesse caso temos que ir com calma. O indicativo que temos é a dor. Doeu, não faz o movimento, até porque o pós operatório se estende por um período de 6 meses à 2 anos para ficar 100%!

E por fim, eu não preciso nem dizer que você deve conhecer como o seu corpo reage dentro da água em resposta aos exercícios propostos, assim como para você ensinar musculação, você deve saber como são os exercícios e as sensações de cada um deles antes de prescrever. Conhecimento das propriedades físicas da água é imprescindível. Atentando aos detalhes, fazemos um trabalho diferente e com maiores chances de dar certo.

Por fim, sejamos humildes. Se não sabemos, devemos ir atrás de ajuda ou comprometemos a qualidade do nosso trabalho ou pior, a saúde do nosso aluno. Não vamos nunca saber de tudo e não saber não é feio. Errar uma vez é humano, duas vezes é burrice, então não sejamos bobos de cometer erros que podem ser evitados! O projeto está aberto para receber crianças com deficiência que tenha interesse de praticar natação. Caso conheçam alguém, comentem e deixem o contato que o endereço da academia será disponibilizado por e-mail. Ah, importante: não paga nada para participar! De graça!

No proximo post coloco fotos das nossas meninas em ação durante o jogos aquáticos do ceará que aconteceu semana passada.

Camila


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