Paralisia cerebral

A paralisia cerebral (PC), segundo Lianza (2001) é um grupo heterogêneo e não bem delimitado de síndromes neurológicas residuais, causadas por lesões não progressivas do encéfalo imaturo, manifestando-se basicamente por alterações motoras, com padrões anormais de postura e de movimento, podendo apresentar distúrbios associados mentais, sensoriais e de comunicação.  Em palavras mais compreensíveis a Associação Brasileira de Paralisia Cerebral define o PC como o conjunto de alterações oriundas de um determinado acometimento encefálico, caracterizado essencialmente por uma alteração persistente porém não estável do tônus, da postura e do movimento que se inicia durante o período de maturação anatomofisiológico do sistema nervoso central.

Conseguem pensar em uma pessoa com essa deficiência? É normalmente aquele esteriótipo de uma pessoa com os braços bem travadinhos, junto ao corpo, com a fala um pouco comprometida ou aquele que saliva, aquela pessoa molenguinha, sem controle de tronco e que não consegue ficar em pé… tá associando a imagem? pronto… esse é um PC. Mas não necessariamente! O PC, se ainda não deu para entender muito bem, é o bebê que antes, durante ou depois do nascimento sofre algum trauma envolvendo o cérebro. Esses traumas podem ser falta de oxigenação, um nascimento pré-maturo, uma meningite, anemia durante a gestação, qualquer coisa que possa vir a afetar o encéfalo, lesando as células nervosas, que a gente SABE que elas não se regeneram, certo? Muito bem! Entretanto, existem pessoas com PC que dificilmente dá para perceber, porque existem variações da lesão, já que o comprometimento depende da área do cérebro que foi lesado.

Cada dobrinha (giros e sulcos) do nosso maravilhoooso cérebro tem uma função específica, e aí dependendo da área em que o sangue deixou de circular, ou sofreu um choque, as funções daquela determinada área que o cérebro estava responsável para exercer estará comprometida.

A gente já se viu numa situação de ver uma pessoa assim e não saber como agir, né? A gente fica inseguro, sem saber se a pessoa consegue falar, se tem comprometimento intelectual, essas coisas e muitas vezes achamos que elas não entendem, não escutam, não olham, não sabem de nada! Que absurdo! Mas é verdade… Sabia que muitas vezes essas pessoas tem o intelecto perfeitinho? O que acabamos confundindo é que a fala da pessoa é um pouco dificultada devido ao comprometimento MOTOR daquela pessoa. Exemplifico: Para nós conseguirmos escrever, precisamos ter um controle apuradíssimo de todos os músculos que fazem o trabalho coordenado e assim conseguir escrever, digitar etc. Para a fala é a mesma coisa, ao passo que falamos, estamos pronunciando cada fonema de forma que coordenamos os nossos músculos responsáveis pela a fala. Parece simples, mas são movimentos que exigem concentração! Imaginem um bêbado! Quando álcool é ingerido , ele afeta as reações normais que acontecem no nosso cérebro. Na altura do campeonato de um bêbado, onde está tudo alterado, a fala começa a ficar tão comprometida, que a coordenação perfeita que ele tinha antes de se embriagar, foi embora, porque houve uma alteração no controle do recrutamento dos músculos. Não só da fala, obviamente, mas de todas as funções. De forma BEM simplificada, é isso. Aquelas reações bonitinhas que costumam acontecer quando não temos nenhuma lesão, começam a serem alteradas. Não que o PC se sinta um bêbado, mas exige uma concentração grande para conseguir executar uma tarefa aparentemente simples.

Vale lembrar, que existem classificações de paralisia cerebral, que são a paralisia cerebral piramidal e extrapiramidal. Dentro dessas ainda existem outras sub divisões, na qual caracterizam a paralisia de acordo com o lugar da lesão. Então , como dá para perceber com as duas citações do início do texto, que dizem que varia cada PC é um PC! Então, esse padrão que eu falei da pessoa com braços curvados, sem controle de tronco, fala afetada, tudo isso são características que PODEM aparecer, mas não dá para objetivar e fechar um só padrão de pessoas com paralisia cerebral.

      

    

  Esses são exemplos práticos da possibilidade que existe de exercícios e o comprometimento de paralisados cerebrais. Em todas essas modalidades/exercícios exibidos, quem pratica são pessoas com PC, onde desde os que não conseguem andar, comer, vestir-se praticam, até os que conseguem fazer tudo isso, ainda driblar, fazer gols, coisas que muita gente, inclusive eu, não faz.

É aí onde eu entro contextualizando o exercício dentro disso tudo. Já sabemos o que é a paralisia cerebral, e agora, onde é que a atividade entra nessa história toda? O exercício, seja ele qual for, é importante para o ganho motor, aprimoramento de movimentos, valências físicas como força, flexibilidade, agilidade… Lembra aquelas pessoas que sofrem um AVC? AVC, o acidente vascular cerebral, nada mais é do que uma paralisia cerebral, porém acontecida em idade mais avançada, quando a massa encefálica foi já constituída, maturada, desenvolvida e exercitada, diferentemente do caso dos PC’s, que não tem nada disso, apenas uma lesão em um cérebro, que não existe memória motora nenhuma já que são bebêzinhos. A diferença da reabilitação de um PC para uma pessoa que teve um AVC, é exatamente a memória motora que a pessoa que teve um AVC já tinha. Normalmente o AVC acontece em pessoas de meia idade à mais velhas, nesse caso, a pessoa já aprendeu a escrever, a andar, a comer, a ler, a tocar um instrumento etc. Então na reabilitação de uma pessoa com AVC é mais “fácil” de conseguir ganhos motores, porque em algum momento da vida dela, ela já utilizou aquela musculatura responsável pela marcha – por exemplo-  e então é mais “acessível”. Vai ser uma “reeducação” de movimentos, basta estimular. *Lembrando que existe a plasticidade cerebral, que é quando os neurônios que estão “próximos” do local da lesão, quando estimulados (através de conexões sinápticas), aprendem/fazem a função daqueles neurônios que morreram.

No caso do PC, não existe memória motora, ele nunca andou, nunca escreveu, nunca amarrou os cadarços, logo, não é somente uma “reeducação”, mas de fato a aprendizagem de movimentos complexos, subordinados à limitações neurológicas. O que são estímulos?.. Exercícios! Por isso, quando falei da equoterapia e os benefícios para o ganho de controle de tronco, eu me referi a exercícios que estimulam o corpo a obter um controle, que em uma cadeira de rodas, por exemplo, o seu corpo nunca seria exigido como é exigido em cima de um cavalo em movimento. Parece pouco, mas o ganho de controle de tronco, já possibilita a aprendizagem de diversos outros movimentos, como o comer, a comunicação alternativa e uma outra postura, relação com os outros, um outro olhar, coisas importantíssimas!

Infelizmente essa figura de comunicação alternativa está em hebraico, mas dá para entender como é o sistema. São diversas figuras que podem demonstrar a ideia que a pessoa com PC quer passar, apenas apontando para uma das figuras. Eu não me refiro aqui somente ao exercício físico como atividade, como também os exercícios de fonoaudiologia e fisioterapia. Mas é lógico que eu abordo mais a alternativa do exercício físico como uma opção para ganho de movimentos e exercício de raciocínio, que por exemplo, a bocha exige. A bocha é um esporte também paraolímpico, que exige precisão tanto o lançamento das bolinhas, quanto destreza para execução do movimento, atentando a velocidade, angulação, força, tudo isso para que o objetivo do esporte seja alcançado (que é deixar a sua bolinha mais próxima possível da bola alvo).

E daí existem outros esportes adaptados à pessoas com PC que podem ser praticados de acordo com o comprometimento. Muitas vezes essas adaptações, proporcionam uma atividade física que eles jamais conseguiriam, como andar, que é possível com o triciclo, ou ficar em pé, sem cadeira ou muletas, como é o caso da natação. E esses são só alguns exemplos de um universo de atividades que podem ser propostas!

Eu poderia continuar falando sobre PC aqui por muito tempo e exige MUITOS e MUITOS mais posts para tratar dessa deficiência que eu tenho taanta curiosidade de estudar.

Se alguém tiver alguma dúvida, que eu não consegui/esqueci de colocar no texto, fique a vontade para perguntar nos comentários!

Camila


2 respostas para “Paralisia cerebral

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