Trabalho e Pessoas com Deficiência

A Lei nº 8.213/1991, em seu art. 93, fala sobre a obrigatoriedade de admissão de pessoas com deficiência.

Entretanto, isso não quero dizer o contrário, que a pessoa com deficiência tenha que trabalhar.  Isso muitas vezes é o que faz com que essas pessoas se sintam depressivas, inseguras e acomodadas e acabe carregando com si o rótulo de coitado. O valor de um emprego não está somente na sua remuneração, pois toda pessoa que provar ser incapaz de trabalhar, recebe uma aposentadoria do INSS. Sem problemas. Não é porque você é incapaz de trabalhar que você vai morrer de fome.

Esse post começou um tanto agressivo, mas eu juro como não é o meu objetivo. Com o tempo que eu venho trabalhando com pessoas com deficiência, percebi que muitas delas não querem trabalhar com carteira assinada, trabalho legal, porque senão perdem o benefício. Não que um salário mínimo dê para muita coisa, mas garante resto da vida um trocado todo fim do mês. Admito que nos dias de hoje o mercado não está muito convidativo para arriscar o certo pelo duvidoso, portanto o certo é bem mais cômodo. Mas  se eu por algum acaso, tivesse GARANTIA de emprego em empresas -normalmente- grandes, eu certamente preferiria essa opção.

O valor do trabalho está em você se sentir util, sentir que faz parte desse mundo que gira, que acontece mil coisas o tempo todo, e que você participa da sociedade ativamente. Ou deveria. Para a pessoa com deficiência, se sentir auto-suficiênte, numa situação em que muitos acham você um coitado, faz toda a diferença. Me orgulho quanto vejo alunos ou ex-alunos meus que trabalham, têm seu carrinho adaptado, e são independentes. Nem por isso deixam de passar dificuldades que outras pessoas com deficiência passam.

Mostrar para a sociedade que é uma pessoa capaz e útil é muito mais vantajoso do que passar a imagem de que as pessoas assim, vivem em um mundinho só delas, conhecem pessoas que nem elas e provavelmente por causa disso que quase todo mundo acha que existem poucas pessoas com deficiência. Eu mesma quando digo que quero trabalhar com esse público, diversas vezes sou questionada quanto à quantidade de gente que existe aqui com deficiência ou se existe, que eu não vou ter público etc… Quando na verdade, quem trabalha na área já ouviu falar números estimados em 400.000 pessoas com deficiência aqui na grande Fortaleza. Isso é muuuuita gente.

Fiquei feliz quando estive certa vez na Monsenhor tabosa tomando um café, e um rapaz chegou me oferecendo camisetas de fortaleza (souvenir). Quando eu olhei para o rapaz, ele tinha paralesia cerebral,  tinha movimentos comprometidos de braços, pernas, fala, mas ainda assim, estava lá, vendendo as camisetas, oferecendo a cada pessoa que dava abertura para a venda. Possivelmente um outro como ele poderia estar em semáforos acompanhado pedido dinheiro entre carros e transeuntes. Quem estiver um dia andando por lá pode esbarrar com ele oferecendo camisetas.

O esporte é apenas uma opção que existe dentre outras possibilidades que são ferramentas da inclusão social. Mas o trabalho é importantíssimo. Mais uma vez, eu abro sempre a excessão das pessoas que têm um comprometimento muito severo de movimentos ou cognição, mas a parcela desse grupo que é capaz de digitar, recepcionar, agendar, ser atendente de telemarketing ou central de vendas, controle de estoque, financias (bancos, empresas), informática, serviços burocráticos, vendedor de agencia de viagens, arquitetura, caixa, gerência, supervisão, costura… tanta coisa que você não precisa transitar em ambientes inacessíveis, algumas vezes a própria empresa oferece serviço de transporte próprio onde o transporte passa em pontos estratégicos para buscar funcionários.

Agora se empresa não está disposta a exigências e adaptações que são necessárias não somente para receber empregados com deficiência, como também clientes ou visitantes que podem portar alguma deficiência ou mobilidade reduzida, realmente fica complicado. Mas existem empresas sérias que

tratam de leis, como leis. E é lógico, que não precisa somente ter uma deficiência, estar apto a fazer o serviço que se propõe em todas as qualidades exigidas isso é mais do que necessário. Qualificação do profissional é um pré-requisito para admissão em qualquer serviço. Como eu disse anteriormente, se eu tivesse garantia de emprego, eu certamente me agarraria nessa segurança que eu tenho e me qualificaria para mostrar para todo mundo, e antes de tudo, para mim mesma que eu sou capaz.

Para se sentir capaz assista a isso: A história de Gabe.

Camila


3 respostas para “Trabalho e Pessoas com Deficiência

  • sarah

    Esse teu post fala de coisas muito verdadeiras! porque mesmo que essas pessoas tenham certas limitações, isso não quer dizer que elas não estejam aptas a fazer algum serviço específico, elas precisam ter o espaço delas no mundo e serem vistas como pessoas que SÃO capazes de realizar coisas grandiosas!😀 uhull!

  • Jonathan

    Pensei em não elogiar o blog e a iniciativa para não cair na mesmice, mas é algo maravilhoso o que você esta construindo aqui tia Camila.

    Minha experiência e relacionamento com o mundo da deficiência estão restritos ao esporte e confesso que antes disso ainda estava carregado de uma série de pré-conceitos e desconhecimentos sobre o assunto.

    Difundir experiências e atrair o máximo de olhares para a causa sem dúvida contribui para a obtenção de uma sociedade mais inclusiva.

    Nos da Educação Física podemos fazer o nosso melhor estudando e ficando bastante atentos as particularidades de cada pessoa com quem trabalhamos. Contudo avançar sobre questões legais e trabalhistas requer o envolvimento de mais profissionais que apresentem o mesmo interesse na resolução dos problemas.

    Que este blog espalhe a semente do conhecimento e da informação trazendo a tona o mundo da deficiência.

    Um pouco de política, historia e educação no link:
    http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf

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